Empresas lideradas por empresários 50+ e 60+ aumentaram e, 143% sua participação no mercado produtivo goiano na última década
Falar em empreendedorismo é debater iniciativa de jovens no início de sua vida profissional, nascidos digitais, hábeis em manipular a tecnologia, certo? Nem tanto. Pelo menos é o que números recentes apontam. Segundo dados apresentados pelo Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae-GO), o número de empresas com sócios maiores de 50 anos aumentou de 107 mil em 2016 para 260,5 mil em 2026: um crescimento de mais de 143% em uma década.
O ‘boom prateado’ na economia goiana não se limita somente ao dia a dia das empresas. Ainda segundo números do Sebrae-GO, a procura por suporte e consultoria por parte de empresários sênior aumentou 85% no estado entre 2022 e 2023 e 30% entre 2023 e o ano passado. O principal fator foi a procura por qualificação digital e ferramentas de inovação. Nessa área, os empreendedores 50+ também exibem desempenho que impressiona em Goiás: em 2025, houve redução de 22% de empreendedores dessa faixa de idade sem instrução, e um aumento de 8% dos portadores de diploma de graduação.
Para o empresário Felipe Mabel, os números exibidos em Goiás servem para quebrar paradigmas e superar preconceitos. “É um verdadeiro tapa na cara do etarismo. E que bom que está acontecendo”, ressalta. Candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo Podemos, Mabel destaca a necessidade de proposição de uma agenda de políticas a serem adotadas para fomentar a economia prateada no estado.
“Os empreendedores maduros são mais propícios a conferir longevidade a seus negócios e a constituírem um networking mais orgânico. Eles têm mais facilidade com a conversa direta, em cativar o cliente. A experiència ajuda. O sistema de fomento ao crédito precisa ajudar a viabilizar essas qualidade. Temos que pensar em incentivo na hora de conceder o capital de giro, com prazos de carência diferenciados”, ressalta.
Formação de empreendedores
Felipe Mabel também sugere uma política mais incisiva de incentivo a mecanismos de formação de empreendedores maduros, nos sentido de sua adaptação à economia digital. “Podem ser criados polos físicos com a oferta de oficinas e cursos de curta duração em áreas como e-commerce, tráfego pago em redes sociais. Também é preciso que eles aprendam sobre segurança digital, em como evitar que caiam em golpes”, descreve.
Para o candidato, a economia prateada confirma o fato de que, também em Goiás, o mercado de ocupações laborais passa por um momento de modificação estrutural. “O trabalho assalariado como nós conhecemos até pouco tempo atrás não existe mais. Esse cenário pode provocar um pouco de receio, e até medo, principalmente para os mais velhos. Mas também é um campo de oportunidades. Precisamos preparar os novos empreendedores, inclusive os maduros, para estes novos tempos”, sintetiza.